Grande Hotel Paris comemora 140 anos na cidade do Porto
   Mozart  Luna  │     2 de dezembro de 2017   │     5:35  │  0

 

Um dos hotéis mais clássicos de Portugal completou 140 anos de construindo. Trata-se do Grande Hotel de Paris, localizado na Rua da Fábrica. Atualmente pertence a rede de hotéis Stay Hotels e é o mais antigo da cidade do Porto.

 

Com todas suas características francesas entrar no Grande Hotel de Paris, e se defrontar com a sua escadaria em mármore branca, coberta por uma passadeira vermelha, é como viajar ao século XIX, onde Guerra Junqueiro, Rafael Bordalo Pinheiro, Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós se hospedaram.

 

 

O hotel que nasceu inspirado nos costumes franceses, comemora 140 anos e pode dizer-se que pouco mudou desde o primeiro dia que abriu portas na rua da Fábrica, na Baixa do Porto no dia 25 de novembro de 1877.

La Belle Époque

 

O hotel preserva os traços de arquitetura da La Belle Époque e muitos detalhes a lembrar a elegância desse período. Com o seu piso de madeira, que nos range suavemente sobre os pés, é o original e tem algumas marcas dos tempos em que esteve coberto por alcatifa.

A madeira é um componente presente em abundância no interior desde a receção com as suas paredes trabalhadas pintadas de branco e azul bebé, até ao bar e sala de refeições. Um dos detalhes mais curiosos do hotel é o Posto 1, uma pequeníssima sala, na zona do bar, onde está um telefone. Aparelhos antigos existem por hotel, como uma antiga máquina de costura Singer, um gramofone, uma máquina de escrever ou de registar.

 

A sala de refeições é o maior espaço comum do hotel, com janelas para o jardim, e mobiliário antigo em madeira. Os cortinados floridos nas janelas deixam espreitar o jardim cheio de árvores, à margem do bulício da Baixa.

 

 

Bem perto existe a Sala Dupuy, ao lado da dos pequenos-almoços, encontram-se jogos de tabuleiros, baralhos de cartas e diversas fotografias nas paredes, com datas entre 1920 a 1964, e com legendas que contam parte da história do hotel – como é o caso daquela onde se vê o primeiro dono do Grande Hotel de Paris.

Uma curiosidade são as fotografias ao longo dos três pisos do hotel, aos quais se chega por duas escadarias que se cruzam e por elevador. No primeiro piso, há uma pequena biblioteca que tem alguns livros deixados por hóspedes. O hotel tem 42 quartos, que vão do quarto duplo ao quádruplo.

Entretanto um é especial. Trata-se do quarto 110, antigamente o número 17, onde Camilo Castelo Branco viveu durante uma altura depressiva da sua vida. Consta que terá recuperado graças aos pratos da cozinheira do hotel na altura, Gertrudes.

Os quartos serão intervencionados a partir do próximo ano e o mesmo vai acontecer no bar. Mas a grande mudança não será no edifício central, mas nos dois edifícios contíguos para onde o hotel se vai ampliar, com a criação de mais 37 quartos e um aumento da área de jardim. Apesar da intervenção prevista, o objetivo é manter a traça original do edifício e alterar apenas o essencial, garante a cadeia Stay Hotels.

 

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