Presidente do Grupo Vila Galé confirma construção de Hotel em Alagoas
   Mozart  Luna  │     12 de junho de 2020   │     16:10  │  0

Exclusivo 

Jorge Rebelo diz que o Brasil tem tudo para sair da crise mais rápido que Portugal e precisa apenas um alimento entre Governo Federal e Estados, no combate a pandemia 

 

O presidente de uma das maiores redes de hotéis de Portugal e também do Brasil, o Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida confirmou hoje em entrevista em Lisboa a imprensa, (tripseek.news) que as obras de uma das unidades da rede prevista para ser construídas em Alagoas serão iniciadas este ano.

A crise não nos assustou para pararmos as obras…Estamos a acabar a segunda etapa do Vila Galé Douro Vineyards. A segunda fase vai ficar pronta no final de junho, dos sete quartos vamos passar para 50. Fizemos obras de remodelação, por exemplo, no Vila Galé Marina, no Algarve, no Vila Galé Estoril, em Cascais. Em julho vamos abrir um terraço no Vila Galé Ópera. No dia 1 de julho vai abrir o Vila Galé Paulista, no Brasil. Quando isto tudo aliviar, está previsto iniciar o Vila Galé Alagoas. Nos Açores, vamos fazer o projeto, mas vamos precisar de um bocadinho de fôlego e respirar fundo. Mantém-se nas nossas intenções fazê-lo”, declarou ele.

Segundo ainda Jorge Rebelo, o Brasil é um grande mercado para o turismo e afirma que os brasileiros têm mais possibilidades de sair mais rápido da crise e retomar suas atividades econômicas com sucesso.  “No Brasil, como entramos em setembro na melhor época, tenho mais esperanças que recuperemos, a não ser que o descalabro se mantenha. E, por outra razão, no Brasil o mercado interno é preponderante. 92% da nossa ocupação nos resorts no Brasil é do mercado interno e somos a principal rede de resorts. Penso que temos mais probabilidades de retomar lá a atividade do que aqui. Em Portugal, o número de camas é excedentário para o nosso mercado interno”, disse o presidente de um dos maiores Grupo de Hotéis de Portugal e do Brasil.

Jorge Rebelo só lamentou a falta de sintonia entre o Governo Federal e os Governo dos estados no Brasil. Para ele, se o Brasil estivesse aplicando uma política única no combate a pandemia seria muito para todos.  “Enquanto, em Portugal, temos de fazer um elogio rasgado ao Governo português, que passou sempre uma mensagem de ter a situação controlada, uma imagem de confiança, de serenidade e de saber o que estava a fazer, no Brasil não temos isso, infelizmente. No Brasil, temos uma situação um bocadinho descontrolada. O Governo federal tem uma posição, os Governos estaduais têm posições independentes, isso gera um desconforto grande e uma insegurança acrescida. Há uma imagem de falta de coordenação e falta uma política nacional de saúde para atacar esta pandemia. Isso é que é preocupante”, desse ele.

Retomada

Perante este cenário, não vamos abrir nenhum hotel no Brasil no dia 10 de junho, como vamos fazer em Portugal. Estamos a ponderar, mas sujeito ainda a uma verificação diária, eventualmente abrir dois hotéis para o São João (23 e 24 de junho), que é também muito tradicional no Brasil.
É preciso recordar que, enquanto em Portugal estávamos a fechar a 15 de março, lá praticamente ainda tivemos hotéis abertos até ao final de março.
Vivemos tempos de navegação à vista, já tenho alertado que, numa situação de imprevisibilidade tão grande como esta, pode acontecer que, no início de julho, tenhamos que mudar as nossas decisões, porque voltou a haver um reacender da pandemia. Quero acreditar que não. Assim como as pessoas tomaram as cautelas todas na fase de confinamento, agora também vão voltar à rua com segurança
”, declarou Jorge Rebelo.

Cenário em Portugal

Jorge Rebelo de Almeida não tem dúvidas que os portugueses que tenham condições para fazer férias, vão fazê-lo, não só porque é uma terapia, depois do período de confinamento, como confiam na hotelaria portuguesa, que se mostra “segura e responsável”. O problema é que o mercado nacional é pequeno para a oferta que surgiu nos últimos anos.
“Depois, admito que não existirá consistência. O nosso turismo depende muito do estrangeiro. O cliente português, face à oferta turística existente hoje, que é mais do que o dobro do que era há dez anos, não dá para encher nada. Vai ser muito difícil. Se, entretanto, não houver nenhuma inversão da política aeronáutica, é muito difícil. Embora tenhamos a nítida noção, pelos contactos com os operadores, que, o mercado do Reino Unido está doido por viajar. Pode ser que na última semana de junho já comece a haver mais movimento. Quero acreditar que em julho vamos ter estrangeiros”, declarou o presidente do Grupo Vila Galé”, disse ele.

Com a abertura de fronteiras com Espanha, estima que possa haver espanhóis a fazerem férias em Portugal?


“Tenho muita expectativa. A abertura da fronteira com Espanha começa por ter impacto nos destinos fronteiriços, como Elvas. A cidade está parada, assim como a oferta hoteleira. Não havendo espanhóis, a cidade não vai ter movimento. Estou convencido que vem gente de Espanha, porque não têm de vir de avião, vêm de carro
”, declarou.

Preveem abrir todos os hotéis a partir de julho. Chegaram a equacionar deixar alguns hotéis fechados?
Tínhamos uma medida mais radical que seria não abrir alguns hotéis e reduzir pessoal, mas queríamos continuar a apostar nas pessoas que trabalham conosco. Mesmo que não haja garantias de movimento, queremos abrir. Vamos ser claros. Temos plena consciência que a abertura destes 11 hotéis nos feriados é capaz de nos sair mais cara do que mantê-los fechados com o pessoal no ‘lay off’ com os contratos suspensos.

Então por que é que o fazem?

“Por várias razões. A primeira é passar uma imagem de confiança para o mercado. Ou seja, de que há um grupo como a Vila Galé na hotelaria que, com todas as cautelas e  bh medidas adotadas, vai abrir os hotéis. A segunda é por causa do nosso pessoal, que quer voltar a trabalhar. A preocupação com as pessoas que trabalham conosco também é um aspeto importante, e até é uma terapia voltarem a trabalhar. Por outro lado, para que em julho estejamos em pleno, precisamos outra vez de ter as pessoas a rodar e a preparar muito bem os hotéis. Quero acreditar que faz bem ao país dinamizar a economia e essa é a terceira motivação que nos leva a abrir. Se o país estiver melhor, é bom para todos nós. Gosto de fazer aquilo que prego. Prego que temos todos que voltar à luta, disse ele.

Ideias brasileiras

Segundo Jorge Rebelo, haverá algumas mudanças na forma de vendas em Portugal, e algumas deles serão copiadas de o Brasil. “Vai ter alguma dificuldade acrescida e temos estado a equacionar fazer uns programas com pagamentos em prestações, situação que em Portugal normalmente não fazemos, mas no Brasil já. Temos estado a estudar essa hipótese. É evidente que, no geral, as pessoas estão mais sofridas financeiramente. As pessoas que estão em ‘lay off’ tiveram um corte, há muita gente desempregada, muitas profissões livres que deixaram de trabalhar, muitos comerciantes que não faturaram nada. Há uma percentagem elevada de pessoas que não está nas melhores condições para fazer férias. Mas, por outro lado, não tenho dúvidas que, toda a gente que tenha condições, deve fazer férias e vai recorrer a outras soluções, porque é uma terapia. Depois deste período de confinamento, de medos, as pessoas precisam de arejar a cabeça e penso que vai ser extremamente positivo fazerem férias. Por outro lado, sabem que a hotelaria nacional é confiável, é segura e responsável. É um setor que, em Portugal, evoluiu e melhorou muito. Os nossos profissionais do setor estão muitíssimos mais bem preparados do que alguma vez estivera”, disse ele. 

Jorge Rebela destacou a importância estratégica da TAP para os voos internacionais, mas esse assunto vamos aborda em outra matéria. Aguardem.

 

 

 

 

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