Descoberto em Alagoas fóssil que é referência para paleontologia mundial
   Mozart  Luna  │     1 de setembro de 2019   │     10:34  │  0

 

Fóssil da preguiça gigante prenha. No detalhe o fóssil da pélvis e o fóssil menor do feto que estava em seu interior. Uma peça única no mundo, encontrada em Alagoas.  

Alagoas possui o fóssil que passou a ser referência  e nortear estudos paleontológicos na distinção de preguiças gigantes entre fêmeas e machos da espécie Eremotherium laurillardi, em todo mundo. A descoberta foi realizada pelo professor Jorge Luiz Lopes do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Doutor em Geociências com concentração em Paleontologia, pela Universidade Federa de Pernambuco (UFPE) e também Diretor do Museu de História Natural, que encontrou entre os municípios de Piranhas e Olho D’água do Casado um fóssil de uma preguiça gigante, que estava, possivelmente, prenha.

Uma descoberta que foi realizada em 2010, mas somente agora os estudos foram concluídos e publicados confirmando os critérios que diferenciam as preguiças fêmeas dos machos. “Isto é um marco para paleontologia brasileira e coloca Alagoas na pauta da discussão dos de pesquisadores de todo o mundo”, ressalta o professore Jorge Luiz.

Segundo ainda ele Alagoas possui um território importante em áreas de achados de fosseis, a exemplo do município de Maravilha, onde se encontrou já dezenas de exemplares dos animais que habitavam a região há no mínimo 11 mil anos.

Presa de mastodonte, encontrada no Sertão de Alagoas. Uma peça inteira. 

O mais recente achado é uma presa de mastodonte, que foi encontrada junto com a mandíbula. “É um achado incrível porque é o primeiro encontrado em Alagoas praticamente inteiro, estamos montando para colocá-lo em exibição. “Essa presa de mastodonte tem cerca de 20 mil anos. Uma época antes da presença dos primeiros paleoíndios em território alagoano”, disse ele.

 

Tráfico de fósseis

O professor Jorge Luiz Lopes disse que está muito preocupado com o tráfico de fósseis, que vem ocorrendo no Brasil, por parte de estrangeiros que estão levando essas riquezas cientificas para outros países como a França, Itália, Japão, Alemanha e Escócia,  Alagoas, também corre o risco de estar nessa rota.

Segundo relatos de moradores de Maravilha, o sítio de pesquisa onde vem sendo encontrados dezenas de fosseis de animais, vem sendo visitados por estrangeiros que chegam dissimuladamente, disfarçados de turistas que estão levando material escondidos. O relato foi feito por moradores a nossa reportagem.

Segundo o Professor Jorge Luiz transportar fosseis brasileiros, sem autorização dos órgãos competentes, é proibido por lei e quem for pego com esse material, pode ser preso, como foram um casal de italianos que há alguns anos compraram fosseis na feirinha de artesanato da Pajuçara. Outro italiano também foi investigado pela Polícia Federal, por estar enviando material arqueológico da Ilha do Ferro em Pão de Açúcar, o material foi apreendido e entregue a salvaguarda do MHN-UFAL, e o estranho é que ele continua no município.

Fósseis levados para Alemanha

Fósseis levados do Brasil de forma ilegal para Alemanha

Atualmente Paleontólogos brasileiros questionam a legalidade da obtenção de um fóssil encontrado no país e que foi tema de um estudo publicado na prestigiada revista “Science”.

O material, que levou à descrição de uma nova espécie de cobra que tinha quatro patas e viveu no Brasil há mais de 120 milhões de anos, encontra-se atualmente na Alemanha.

Questionados pelo G1, o autor da investigação e o museu onde se encontra o artefato não deram detalhes sobre como ele teria chegado à Europa.

Segundo os estudiosos brasileiros, a peça, originária da Formação Crato, na Bacia do Araripe, no Ceará, pode ter sido retirada de maneira ilegal do país e levada para a Alemanha, onde está abrigada no Museu Bürgermeister-Müller, em Solnhofen.

Normas
Eles alegam que os autores do artigo científico reconhecem que a peça analisada é originária do Brasil, mas afirmam que eles não seguiram normas exigidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, para análise de fósseis achados aqui.

“Informações importantes quanto à origem do fóssil são deixadas de lado para que o autor não seja incomodado por nós brasileiros quanto à origem”, afirma Antônio Álamo Feitosa, diretor científico do Geopark Araripe, local onde o material foi encontrado, segundo o artigo.

 

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