Uma viagem à Serra Sagrada de Zumbi dos Palmares
   Mozart  Luna  │     7 de agosto de 2019   │     12:00  │  4


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Alagoas é realmente uma terra abençoada por Deus e ainda o berço da liberdade no Brasil, já que foi aqui que ocorreu o maior levante armado contra a escravidão em toda América. Cerca de 30 mil negros se uniram, na Serra da Barriga, em União dos Palmares, sobe o comando de Zumbi do Palmares e Ganga Zumba para enfrentar o perverso sistema escravagista implantado pela civilização européia.

O Brasil foi uma das colônias para onde foram enviados milhões de africanos trazidos à força pelos comerciantes de seres humanos, sendo também o último a decretar o fim desse sistema de exploração do trabalho humano.

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A saga da luta dos guerreiros na Serra da Barriga é hoje objeto de pesquisa e busca do resgate da importância desse fato histórico, não só para a comunidade negra brasileira, mas mundial. A Serra Sagrada é solo santo que merece ser reverenciado por todos, pois é um símbolo de resistência da liberdade.  Diante da importância histórica e antropológica a Serra da Barriga ainda não conta com a verdadeira infraestrutura e divulgação para fazer chegar mais longe o grito de liberdade de Zumbi dos Palmares e Ganga Zumba.

Alagoas tem essa pérola histórica e até hoje os sucessivos governos não souberam dotar o local de uma infraestrutura para receber os visitantes. A Serra da Barriga possui um grande apelo turístico que precisa de mais empenho e atenção das autoridades para sua divulgação e consolidação como destino turístico internacional.

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Algumas empresas de turismo em Alagoas realizam todas as quartas-feiras uma excursão à Serra da Barriga, saindo de Maceió com um roteiro bem definido pela manhã com destino a cidade de União dos Palmares a 92 quilômetros da capital alagoana. Os visitantes são orientados a não pegar nada do solo da Serra, já que o local é tombado pelo patrimônio nacional.

A Serra possui 500 metros de altitude e o acesso é realizado por uma estrada de terra batida, sendo uma parte pavimentada. A subida é feita a pé, ou em carro de pequeno porte, até certa distancia.  No local foram erguidas tendas temáticas respeitando a originalidade da cultura afro.

O roteiro inclui também visitas a comunidade negra do Muquém onde se possível apreciar o artesanato produzido em argila, uma tradição passadas pelos descendentes dos guerreiros e guerreiras que ocupavam a Serra Sagrada. Hoje o Muquém uma as comunidades negras mais bem organizadas e que mantém as tradições familiares dos Quilombos.

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Parque Memorial Zumbi dos Palmares

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é primeiro equipamento do gênero no País e reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorrida no mundo: a história do Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de negros escravizados das Américas. Fruto de uma luta de mais de 25 anos do Movimento Negro brasileiro, o Memorial foi implantado em 2007 pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, no território original da longa e sangrenta batalha – a Serra da Barriga, onde milhares de negros rebelados fugiram durante o período da história colonial, sendo o maior símbolo de luta pela liberdade, localizado em um platô (área plana) do alto da Serra da Barriga, o local, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985, recria o ambiente da República dos Palmares.

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Nesta espécie de maquete viva, em tamanho natural, foram reconstituídas algumas das mais significativas edificações do Quilombo dos Palmares, com paredes de pau-a-pique, cobertura vegetal e inscrições em banto e yorubá, avista-se o Onjó de farinha (Casa de farinha), Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxilé das ervas (Terreiro das ervas), Ocas indígenas e Muxima de Palmares (Coração de Palmares).

Além das construções que referenciam o modo de vida daquela comunidade quilombola, o Memorial dispõe de pontos de áudio com música e textos em quatro idiomas (Português, Inglês, Espanhol e Italiano) que narram aspectos do cotidiano do Quilombo e da cultura negra. São os espaços Acotirene, Quilombo, Ganga-Zumba, Caá-Puêra, Zumbi e Aqualtune. No primeiro e único parque temático sobre a cultura negra do País, destacam-se, ainda, os mirantes, de onde se avistam paisagens magníficas da Serra da Barriga. São as atalaias de Acaiene, Acaiuba, e Toculo. Complet

ando o ciclo das edificações simbólicas, o restaurante Kúuku-Wáana (Banquete familiar), que oferece pratos da culinária afro-brasileira, e o Batucajé (palco de manifestações artístico-culturais)

 

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COMENTÁRIOS
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  1. Nelson

    Se a serra da barriga fosse na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, já seria patrimônio cultural da humanidade ! Infelizmente aqui na terra do nunca, esses tesouros históricos são levados a revelia.
    Maceió uma capital com mais de hum milhão de habitantes só recebe uns vinte e cinco voos por dia…..se Alagoas fosse no Estados Unidos, a Serra da Barriga seria um lugar de peregrinação como é Fátima em Portugal, Santiago de Compostela na Espanha, e tantos outros lugares sagrados no Mundo.

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  2. Regina Machado

    Mozart, boa tarde. Estarei em Maceió entre 3 e 10 de outubro próximo. Tenho imenso interesse em conhecer ca Serra da Barriga, Quilombo Palmares. Vc poderia recomendar alguém, algum grupo ou agência pertinente para nos sugerir? Seremos 3, incluída uma Profa. de História.
    Desde já, agradeço!

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