O histórico Navio Funchal será hotel escola em Londres
   Mozart  Luna  │     6 de dezembro de 2018   │     16:00  │  0

 

Num momento que Alagoas vive um momento importante para o turismo com os cruzeiros, chega a boa notícia de que um dos navios que marcaram a vida de muitas pessoas nas décadas de 60, 70, 80 até o inicio dos anos 2000, foi salvo do desmonte em sucata e vai se transformar em um de escola hoteleira em Londres. Trata-se do histórico navio português Funchal, com seus 57 anos navegando pelos Oceanos, que marcou a vida de muita gente em Alagoas, que viajou comemorando aniversário de casamento, lua de mel e até encontrou seu eterno amor.

Construído na Dinamarca, mas com o “sotaque” português, o Funchal era o glamour na costa brasileira, quando chegava trazendo turistas europeus e realizando sonhos de brasileiros, numa época que ainda as viagens aéreas entre os o Velho Continente e as Américas, não haviam superado o conforto e a segurança de estar a abordo de um confortável navio com restaurantes, piscina e cassino e shows.

O Funchal fez história na realização de cruzeiros marítimos no Brasil, marcando presença constante nos últimos 50 anos e foi o único de um triunvirato composto por outros navios como o Vera Cruz, Serpa Pinto e Santa Maria, que deixaram de vir ficando apenas o velho Funchal, navegando pelas costas brasileiras.

Depois de várias reviravoltas e de passar nas mãos de várias empresas o Funchal foi deixado no cais da Marinha em Lisboa, aguardando uma solução quanto ao seu destino, que previa inclusive ser desmontado como sucata.

No Natal de 2012 o comandante António Moraes do velho navio deixou escrito no bordo: “Desembarque”. Ele foi o último a abandonar o navio, seguindo a lei do mar, “com mágoa e tristeza”, depois de ficar com alguns tripulantes a bordo por dois anos no cais da Matinha, em Lisboa. Os tripulantes foram deixando o navio aos poucos. No final, além do capitão, permaneceram a bordo o chefe de máquinas e outros dois.

Sem óleo e sem energia, o navio se transformou em uma embarcação fantasma no cais. E seu fim ocorre justamente quando deveria estar festejando os 50 anos desde o lançamento ao mar, em 1961. Este verão na Europa deveria ser de comemorações, mas está sendo de tristeza para velhos tripulantes e antigos passageiros.

Funchal passando por Fernando de Noronha

Um dos que fez muitas viagens no Funchal é o produtor musical Kau Batalha. O primeiro foi para a Terra do Fogo, no sul da América do Sul. “Foi deslumbrante passar pelos glaciais e ver que o gelo é azul. O fato de ser um navio pequeno pesou a favor por aglutinar todos num mesmo ambiente, facilitando o contato e integrando os passageiros. Uma pequena piscina onde era servido bufê, o salão principal onde aconteciam os shows e brincadeiras e uma boate na proa, que balançava muito. O tratamento cordial e atencioso da tripulação portuguesa não teve paralelo em outros navios em que viajei”, relatou ele.

Depois, ele fez um cruzeiro ao Prata, ainda como turista, e foi convidado a fazer parte da banda do navio após ter se apresentado, ao violão, na noite “O turista é o artista”. “Embarquei de imediato para novo cruzeiro ao Prata como músico. Depois fui convidando os amigos para tocar comigo: Teco Cardoso, Michel Freidenson, Paulo Silvares, Silvinho Mazzuca, Jarbas Barbosa, Silvio…E aí vieram cruzeiros para Amazônia em 1982 e 1985, este em lua de mel, e Carnaval em 1983. Tenho o cartão de embarque de um outro cruzeiro para o Nordeste, mas sem a data”, conta ainda ele.
Kau Batalha estava apreensivo ao saber do fim próximo do navio: “Foram os melhores anos da minha vida, uma experiência única que tive o prazer de proporcionar também para meus amigos”, disse o produtor musical que tentou ainda fazer uma campanha – “Salvem o Funchal!”.

O despachante aduaneiro Laire José Giraud diz que o Funchal está entre os cinco melhores navios de cruzeiros dentre os que conheceu nos últimos 20 anos. “A bordo desse simpático navio, participei de dois roteiros. O primeiro teve partida de Recife, com chegada em Salvador e escalas em Fernando de Noronha, Ilhéus e Porto Seguro. O segundo teve partida em Buenos Aires, na Argentina, com destino a Santos, passando antes por Punta del Este, no Uruguai”.

O shiplover Emerson Franco Rocha da Silva resume o que pensa do Funchal: “É um dos meus navios favoritos, por ser um navio pequeno e não ter muitas opções de lazer como os navios grandes, mas era muito agradável, com ótima comida e ambiente acolhedor pois a tripulação predominantemente portuguesa tratava você como se fosse um hóspede na casa deles, e era muito fácil de se fazer várias amizades. O fato de ser pequeno incomodava um pouco os mais sensíveis aos balanços do mar. Era o típico navio para quem é marinheiro mesmo!!!”, enfatiza ele.

Trouxe Pedro Primeiro de volta

 

O Funchal trouxe ao Brasil os restos mortais do proclamador de nossa independência e primeiro imperador, Dom Pedro I em 1972, nas comemorações do sesquicentenário da Independência. Seus restos estão na cripta do Monumento à Independência, no Museu do Ipiranga, em São Paulo. O Funchal foi também o desbravador dos roteiros no arquipélago Fernando de Noronha, em dezenas de viagens entre 1990 e 2003. A bordo, as famosas “Noites Portuguesas” com arraial, sardinhas assadas e bolinhos de bacalhau.

Como dissemos o Funchal foi construído na Dinamarca, por encomenda da Empresa Insulana de Navegação, e lançado ao mar a 10 de fevereiro de 1961. No início fazia a linha entre Lisboa e as ilhas da Madeira e dos Açores. Tinha a seu lado, na frota, os famosos Vera Cruz, Santa Maria e Príncipe Perfeito. Tem 154 metros de comprimento e capacidade para 651 passageiros, em 241 camarotes. Seus famosos conveses se chamam Navigators, Promenade, Açores, Madeira, Algarve e Estoril.

Em 1974 o navio foi vendido para a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos, que faliu dez anos depois. Em 1975 o navio foi comprado em leilão pelo armador grego George Potamianos, da Arcalia Shipping e da Classic International Cruises. Foi remodelado em 1995 e em 2003.

Em 2010 parou em Lisboa para novas mudanças na área de segurança, por exigência de convenções internacionais, mas o dinheiro acabou, o navio sofreu um princípio de incêndio em março do ano passado e o empresário morreu em maio, deixando a empresa a seus filhos, que tiveram outros quatro navios da companhia arrestados em portos europeus.

 

Dos males o menor, já que o histórico e lendário Funchal vai para Inglaterra servir de hotel escola e não terá o fim de seus irmãos que foram “esquartejados” para servir de sucata. Resta aguardar para que ele seja reformado e passe a receber os turistas para visitação.

 

 

 

 

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