Conta viagem é deficitária e Lei Geral do Turismo precisa mudar
   Mozart  Luna  │     31 de janeiro de 2018   │     22:00  │  0

 

Todos sabem que o brasileiro adora viajar, mas que vem a cada ano  superando as cifras das viagens internacionais é um fato que vem chamando a atenção das operadoras internacionais, que começam a incrementar os roteiros diante dos dados apresentados no final de 2017. Os números apontam um aumento de 17% do fluxo para o exterior.

Para o ministro do turismo Marx Beltrão essa situação pode ser revertida com a implementação das mudanças propostas para Lei Geral do Turismo, que está em discussão. pela Frente Mista Parlamentar   em Defesa do Turismo.

E brasileiro gosta não só de viajar como de gastar quando chega em lugares bonitos em que se sentem seguros e são bem tratados. Uma prova disso é que os brasileiros gastaram nada mais nada menos que US$ 1,162 bilhão em dezembro contra US$ 1,392 bilhão em dezembro de 2016, segundo dados do Banco Central (BC).

Os poucos estrangeiros que estiveram no país gastaram cerca de US$ 501 milhões, um aumento discreto em relação a 2016 quando deixaram US$ 451 milhões. Disso resulta um déficit na conta de viagens de US$ 1,123 bilhão no mês passado. Em igual mês de 2016 o déficit foi de US$ 941 milhões.

A balança ficou deficitária em R$ 13,192 bilhões, contra projeção do BC de US$ 13,5 bilhões. Os gastos dos turistas brasileiros no exterior ficaram em US$ 19,002 bilhões e as receitas dos estrangeiros no Brasil, em US$ 5,809 bilhões.

Começa o ano

O ano de 2018 já começa com a perspectiva com a tendência de déficit na conta viagem e até o dia 25 a conta viagem estava em US$ 961 milhão gastos pelos brasileiros lá fora, contra US$ 611 milhã, e da despesa de brasileiros de US$ 1,571 bilhão.

Para o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, com esses resultados a indicação é de que o déficit nessa conta continua continuará a crescer. O BC projeta resultado negativo de US$ 17,3 bilhões para 2018, voltando ao patamar de 2014.

Em 2016, o déficit na contabilidade das viagens internacionais foi de US$ 8,473 bilhões. O recorde nessa diferença foi registrado em 2014, de US$ 18,7 bilhões.

Essa tendência é fortemente influenciada pela cotação do dólar e pela renda disponível da população. Em de 2017 se observou um movimento constante de retomada dos gastos, depois que os dispêndios com viagens chegaram a cair mais de 40% em comparação ao longo do ano passado.

A conta viagem é importante porque são parte relevante da balança de serviços que fechou dezembro com déficit de US$ 3,675 bilhões. No ano, o déficit foi de US$ 33,851 bilhões contra US$ 30,447 bilhões em 2016.

O que pensam os operadores

Para equalizar essa conta de forma positiva e o Brasil  melhorar é preciso que o governo crie mecanismos que atraia mais turistas estrangeiros. Entretanto a imagem do país lá fora é a pior possível e quem viagem para o exterior sabe muito bem disso.

O Brasil é tido como um país onde a violência está nas ruas todos os dias com assaltos, homicídios, falta de policiamento e estrutura de serviços e pessoal capacitados para receber bem o turista que vem do primeiro mundo.

Doenças tropicais

Para completar o Brasil tem todos os anos surtos de doenças tropicais como Zika, Dengue, Malaria e agora Febre Amarela. Sintomas de países miseráveis existentes na África. Esta é radiografia existente enriquecida por programas de TV, que são exibidos, por exemplo, em Portugal, por algumas redes de televisão brasileira, que só ajudam a proliferar essa péssima fotografia brasileira.

A imagem do Brasil é tão ruim lá fora, que tem companhia aérea fazendo campanha na mídia na Europa informando que devolvem todo dinheiro da passagem de para quem desista de viajar para o Brasil. Alguns dão descontos para outros destinos como Cuba, onde o governo comunista paga 10%, em descontos em impostos e tarifas, as operadores turísticas internacionais que envie para Ilha turistas.

Hoje o Brasil está perdendo fluxo turístico para as ilhas do Caribe, cujos governos estão isentando de taxas os aviões que pousam em seus aeroportos, além de isentarem os hotéis que recebem os “gringos” de pagamento de impostos, bastando que comprovem que empregam mais de 100 funcionários.

Em contrapartida o Brasil está na contra-mão com taxas altíssimas cobradas pela Infraero e ainda subsidio para o combustível dos voos charter. Outro grande problema no Brasil são os aeroportos, que precisam ser modernizados e contratar funcionários qualificados que falem pelo menos o inglês.

Em Maceió, por exemplo, o terminal de embarque internacional estava com o aparelho de ar condicionado sem funcionar até janeiro, além de não possuir lanchonete no local. O caminhão de abastecimento de combustíveis é pequeno e não tem condições para abastecer grandes aparelhos como o A 330, que pousou em dezembro vindo de Lisboa.

Os  passageiros desse voo tiveram que esperar duas horas dentro do avião aguardando que o “caminhãozinho” tanque do aeroporto “Internacional”  Zumbi dos Palmares, desse conta do recado para encher os tanques do gigante vindo de Portugal. Vexames com esses contra indicam o desenvolvimento do turismo internacional no Brasil.

Lei Geral do Turismo

Uma das saídas seria as mudas propostas na Lei Geral do Turismo constante no pacote Brasil Mais Turismo que está em discussão na Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo, que tem como prioridade dois itens: a modernização da Lei Geral do Turismo (Lei 11.771/08) e o aumento do capital estrangeiro nas empresas aéreas.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão já comentou sobre a necessidade urgente para que as mudanças ocorram. Para ele o turismo no Brasil tem pressa e precisa com urgência votar as mudanças.

Entretanto um outro item bastante importante solicitado por operadores internacionais de turismo é a isenção das altas taxas cobradas pela Infraero para os aviões que vêm de fora, além do barateamento do combustível. Neste caso o assunto é com o Ministério dos Transportes.

Tudo isso aliado a uma campanha de marketing internacional buscando mostrar o que o Brasil tem muito de belo e bonito.

Esses seriam passos importantes a serem tomados pelo governo federal para inverter a conta viagem, caso contrário cada vez mais o país vai receber menos turistas internacionais.

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