Joias e moedas atraem ‘caçadores de tesouro’ em Piaçabuçu
   Mozart  Luna  │     30 de agosto de 2017   │     22:15  │  0

 

A notícia do achado do “tesouro da Praia do Peba” vem provocando uma grande movimentação em Piaçabuçu, desde essa quarta-feira. O local onde foram encontradas as moedas na Praia do Peba, ponto conhecido como Massapê, tem sido visitado por dezenas de populares que chegam em busca de colher algumas das relíquias que apareceram no local, como moedas e joias – brincos e pulseiras de ouro e pedras.

Outro fato que deixou os moradores do povoado de pescadores intrigado é o de que, junto com as moedas e joias, também foram encontradas conchas e caracóis que não são da região, sendo característicos de água doce, de rios e lagoas.  O fato pode ser um indício de que o mar avançou e teria tomado parte do continente, ocupando uma parte urbana do povoado.

Para exemplificar essa hipótese, basta lembrar o que ocorreu do outro lado da Foz do Rio São Francisco, onde havia o povoado do Cabeço, que foi totalmente engolido pela Oceano Atlântico, que levou não só a cidade, como o cemitério e o farol do Cotegipe, todo em bronze, que está abandonado dento do mar, e que agora é chamado de “o fantasma” do São Francisco.

Segundo Tony Madson, morador do Peba, novas moedas vêm surgindo todos os dias com o movimento da maré.  “Tudo começou com as fortes chuvas e a chegada do vento leste que ‘assanhou o mar’, fazendo ele descobrir esse solo argiloso que estava embaixo da areia da praia”, disse ele.

“Quando a maré baixou, vimos que havia alguma coisa brilhando entre as águas e foi aí que descobrimos dezenas de moedas”, relatou. Tony Madson disse ainda que a cada dia um morador aparece com uma moeda nova. “A mais antiga tem cerca de 200 anos e é ainda do Brasil Império”, completa.

Os moradores mais antigos, que vivem há mais de 80 anos no Peba, disseram que não lembram de nada que tivesse ocupado aquela área. Uma das hipóteses é a de que um navio teria naufragado. Outra aponta que se trata de uma “botija” que estava escondida na areia da praia.

Ainda de acordo com moradores da localidade, o achado dos materiais tem atraído “caçadores de tesouro”, que são pessoas que usam aparelhos para detectar metais embaixo da terra. Alguns dizem até estrangeiros e colecionadores já teriam chegado ao Peba para comprar as moedas do “tesouro”.

Como surgiu

O avanço da maré na Praia do Pontal do Peba fez surgir moedas antigas em um local que era antigamente um mangue. O material vem sendo chamado pela população de “tesouro da Praia do Peba. Segundo relatos de populares que conhecem o local, as moedas começaram a surgir depois que as águas começaram a levar parte da areia que cobria uma vegetação de mangue.

As moedas encontradas são de diversas datas e diferentes tipos de metal. Algumas de prata são ainda do Brasil Império, de 1869, e têm a esfinge do Imperador Dom Pedro II. Há algumas mais recentes, de 1985, e outras de países como a Inglaterra.

Como o local está inserido em uma Área de Preservação Ambiental (APA), o material que foi encontrado deverá ser periciado para pesquisa e identificação. Entretanto, os moradores do povoado alegam que o movimento da maré fez surgir um tipo de solo diferente do existente na praia. O local é conhecido como Massapê e se acredita que as moedas pertencem a um antigo naufrágio.

O Pontal do Peba era porta de entrada de navios no Rio São Francisco, que chegavam da Europa, em busca de se abastecer com água fresca e seguir viagem para cidades como Salvador e o Rio de Janeiro, antiga sede do governo do Brasil Império e depois República. Os navios também iam também até Penedo, para deixar passageiros e cargas.

Naufrágios

Vários naufrágios foram registrados durante o período em que as embarcações usavam a Foz do Rio São Francisco para se abastecer de água potável para tripulação e passageiros, como também para limpeza dos navios. Há relatos de antigos moradores que, durante a Segunda Guerra Mundial, foram vistos os demitidos submarinos alemães, U-Boat, (lobos solitários), que por ordem de Adolf Hitler atacavam os navios dos aliados no Oceano Atlântico.

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