No aniversário de 515 anos, Rio São Francisco agoniza em AL
   Mozart  Luna  │     4 de outubro de 2016   │     9:04  │  0

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O rio São Francisco completou 515 anos de descoberto por Américo Vespúcio (em 1501) com poucas manifestações para lembrar essa data, mas com o alerta de que no dia 10 acontece a redução histórica da vazão controladas nas barragens das hidrelétricas para 700m³/s, decisão que deverá causar uma grande mudança no ecossistema do rio.

O São Francisco deverá sofrer recuo de suas margens de quase 2 metros, no trecho após as barragens de Xingó, fato que deverá causar problemas na navegação e também nos sistemas de abastecimento de água de várias cidades ribeirinhas como Pão de Açúcar, Traipu, Penedo e Piaçabuçu. As estações de captação da adutora do Agreste também deverão sofrer com problemas na qualidade da água.

Os ambientalistas alertam para a proliferação da alga cyanobracterias. Ela cresce com a perda da vazão e a baixa do nível das águas, ocasionando a formação das chamadas manchas de lama no leito do rio, que ficam estacionadas e exalam mau cheiro, fazendo a água perder qualidade.

A situação que chama mais atenção é a das cidades próximas à Foz do São Francisco, devido à entrada da água do Oceano Atlântico na calha do rio que deverá atingir os sistemas de captação de água. O município de Piaçabuçu será o primeiro a sofrer com o aumento do teor da salinidade da água, problema que já afeta a cidade há muito tempo e que tem provocado problemas de saúde, como hipertensão na população.

Penedo

Em Penedo, os efeitos da redução da vazão deverão causar muitos problemas para travessia de veículos na balsa que faz esse serviço entre os estados de Alagoas e Sergipe. Os encalhes das embarcações têm sido constantes e deverão se agravar, podendo até mesmo causar sua suspensão, já que pode se tornar inviável.

O rio em Penedo deverá recuar em suas margens e fazer surgir bancos de areia e naufrágios como o saudoso comendador Peixoto, que afundou na década de 60. A possibilidade de resgatá-lo para colocá-lo como atração turística está sendo avaliada.

Outra novidade da redução é o aumento dos bancos de areia no leito do rio. Os mais antigos já se transformaram em ilhas com vegetação, que foram ocupadas por criadores de gado, que colocaram cerca e se apossaram dessas novas áreas que surgiram e deverão ser ampliadas com a redução da vazão.

Operador do Sistema

O Operador Nacional do Sistema (NOS) vinha pleiteando a redução desde maio desse ano, diante da crise hídrica que se abateu sobre o rio, que vem sofrendo não com só com a estiagem, como também com os “sangramentos” provocados pela retirada de volumes consideráveis de água para projetos de adução de canais e irrigação.

Também ficou definido que a vazão no reservatório de Três Marias (MG) passará para 480m³/s a partir de outubro, e para 280m³/s em novembro. Diante das exigências do Ibama para aplicação de controles rigorosos dos efeitos da vazão, o superintendente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique Franklin, explicou que deverá ser aplicada a redução gradual para 750 m³/s a partir de 10 de outubro, e para 700 m³/s, uma semana depois, caso não haja grandes alterações na bacia. O secretário de Recursos Hídricos de Pernambuco, Almir Cirilo, manifestou-se contrário à medida. Considerando o nível do reservatório de Itaparica, o secretário aponta prejuízos para o abastecimento humano.

Ainda conforme Almir Cirilo, a redução da vazão vai provocar o rebaixamento do reservatório de Itaparica em 1,25 metros, visto que o sistema é interligado. Apesar da medida, a diretora do Ibama, Rose Hofmann, alertou que não fica descartada a utilização do volume morto em Sobradinho para geração de energia. Segundo ela, tudo irá depender dos impactos provocados pela medida.

 

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