O descobridor dos sete mares de Maragogi
   Mozart  Luna  │     2 de agosto de 2016   │     22:47  │  0

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O município de Maragogi é hoje o segundo destino turístico de Alagoas e o terceiro do Brasil, ficando atrás apenas das cidades de Gramado e o Rio de Janeiro. Mas para chegar até ai, foi preciso muita a perseverança de algumas pessoas, como os empresários Márcio Vasconcelos, Glênio Pacheco, Latif Daher e o descobridor das galés de Maragogi, Gilberto Laranjeiras, que nos concedeu uma descontraída entrevista.

Giba como é chamado carinhosamente por todos, disse que descobriu Maragogi por volta dos anos 90, precisamente em 1988, quando começou a veranear e terminou comprando um pequeno barzinho localizado na orla. Cansado de viver em Recife e da vida estressante, se mudou definitivamente para Maragogi, onde iniciou sua atividade com o turismo, criando o restaurante Frutos do Mar.

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Galés

Segundo ele, a instalação do hotel Salina em 1987, foi o inicio de tudo. “Os turistas passeavam pelas praias e terminavam parando no meu restaurante para almoçar, ou petiscar” disse ele. “Foi quando iniciei os passeios às famosas galés, levando turistas antes do almoço”, declarou Giba. Segundo ainda ele até aquele momento, apenas os nativos sabiam da existência das piscinas naturais nos arrecifes.

“Eu tinha uma lancha de seis lugares e agreguei ao almoço, o passeio às galés”, disse ele, que foi o primeiro a realizar os passeios turístico para às piscinas naturais de Maragogi. Essa atividade é hoje uma das que mais gera emprego e renda na região Norte e se transformou no cartão postal de Alagoas, para o Brasil e o mundo. Entretanto, de lá para cá, foram muitas as dificuldades já que a cidade não dispunha de infraestrutura, como energia nem água de qualidade, para atender a demanda de turistas.

Giba disse que a energia elétrica só era fornecida até as 22 horas, depois disso a cidade se ficava na escuridão e a iluminação era realizada a luz de candeeiro.  As vias de acesso eram as piores possíveis. Em alguns trechos a praia era a estrada que usava para se chegar a alguns lugares. Na orla, as casas tinham o quintal para o mar, um fato interessante que logo depois foi modificado com a construção da nova orla.

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Chegam as primeiras catamarãs

“A procura pelos passeios às galés cresceu tanto, que tivermos que trazer para cá as primeiras catamarãs. Antes dessas embarcações, o passeio era realizado em lanchas e barcos de pescas”, disse ele. “O crescimento do número de turistas atraiu empresários, que se interessaram em investir também nos passeios”, lembra ele, citando o saudoso amigo Latif Daher. “Um palestino que tinha um coração do tamanho do mundo”, lembra ele, acrescentando, que Latif “era um homem muito bom, que ajudou a muita gente em Maragogi”. Latif trouxe para Maragogi mais catamarãs, que até hoje realizam passeios às galés, consolidando assim os passeios.

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“O preço cobrado na época, pelos passeios, era de ‘mangaba’”, disse ele. Atualmente muitas agências de viagem, já incluem no pacote de viagem, o passeio às galés. “Investimos na melhoria do serviço com treinamento de pessoas e ampliação do restaurante e também no local de embarque”, disse ele, com o orgulho de informar que emprega cerca de 100 pessoas.

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Segundo Giba Laranjeiras, o passeio às galés trouxe também outras atividades, como o mergulho que hoje gera centenas de empregos. “Atualmente temos pessoas que conduzem os turistas dentro d´água para aos mergulhos, além  dos fotógrafos submarinos”, disse ele. O passeio às Gales aqueceu a economia local, com a instalação de lojas que vendem artigos para mergulho e equipamentos com essa fidelidade.

Necessidades

Passados 32 anos do início dos passeios das Gales, Giba Laranjeiras, faz um balanço sobre a situação de infraestrutura no município e diz que falta muito ainda, para transformar Maragogi em um destino internacional. Segundo ele, o município necessita de equipamentos fundamentais para se consolidar no roteiro turístico nacional.

“Precisamos de um terminal rodoviário digno e um centro de convenções, para ser realizar eventos”, disse ele. Segundo ainda Giba Laranjeiras, atualmente muitos turistas, principalmente os conhecidos como mochileiros, desembarcam na rodovia sem um ter um terminal rodoviário para isso.

“Queremos também a instalação de uma escola de turismo, para qualificar a mão de obra que é absorvida pela atividade hoteleira e de restaurante”, disse ainda ele, acrescentando que Maragogi precisa de empreendimentos para movimentar a noite, como boates e casas de show bem estruturadas

Algumas dessas reivindicações foram levadas ao governo, este ano durante o programa Governo Presente. O governador Renan Filho se comprometeu em construir o centro de convenções e entregá-lo para o trade turístico administrar, além do terminal rodoviário. Enquanto não acontece, o “descobridor dos sete mares” vai continuar cobrando.

 

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